O mercado físico do boi gordo presenciou um retorno aos negócios com valores superiores à média nesta quarta-feira (27) em praticamente todas as praças pecuárias avaliadas pelo Portal Compre Rural. A tendência de aumento nos preços da matéria-prima persiste, impulsionada pela menor oferta de gado, o que leva os compradores a buscar garantir suas escalas de abate. Por outro lado, os pecuaristas estão ajustando suas ofertas em busca de margens mais favoráveis nas negociações, as quais estavam defasadas desde o início do ano.
No mercado futuro, os preços continuam a demonstrar uma forte valorização, acompanhando a pressão da oferta no cenário atual. Os contratos variaram de estáveis a mais altos no fechamento desta quarta-feira. A arroba no mercado futuro se aproxima dos R$ 250, tornando essencial monitorar de perto esse movimento.
Fernando Henrique Iglesias, analista da Consultoria Safras e Mercado, destaca que os frigoríficos estão aumentando os valores oferecidos pelo gado para prolongar suas escalas de abate. Em outubro, espera-se a entrada de animais confinados, o que pode limitar o crescimento dos preços em toda a cadeia pecuária. Iglesias alerta sobre a opção de garantir margens por meio da utilização de contratos futuros.
O volume de negócios concretizados no mercado físico do boi continua a crescer de maneira gradual, refletindo a lacuna na oferta de animais para abate e a dificuldade na obtenção de animais terminados em volumes mais expressivos. Na região do interior paulista, destaca-se a existência de relatos isolados de vendas fechadas por até R$ 240/@ para o boi gordo, dependendo do tamanho, localização e rendimento de carcaça dos animais.
De acordo com a Scot Consultoria, as cotações de todas as categorias de bovinos destinados ao abate ficaram estáveis nas praças paulistas na comparação diária, mas há negociações ocorrendo acima da referência. Os preços brutos e a prazo são os seguintes: R$ 220,00/@ para o boi comum, R$ 190,00/@ para a vaca e R$ 215,00/@ para a novilha.
O aplicativo da Agrobrazil relata que um pecuarista do interior paulista, em Guaíra, fechou a negociação de sua boiada com destino à exportação por R$ 235,00/@, com pagamento à vista e abate programado para o dia 07 de outubro. A arroba do “boi China” (animal jovem abatido com até 30 meses de idade) está sendo negociada a R$ 230,00/@, preço bruto e a prazo, com um ágio de R$ 10,00/@ em relação ao boi comum. Essas negociações acima das referências são mais evidentes nas praças do Sudeste e Centro-Oeste brasileiro.
É relevante destacar a alta dos preços no Indicador do Boi Gordo Cepea/B3, que vem apresentando uma valorização expressiva, acumulando um aumento de 14,26% no comparativo mensal. Dessa forma, os preços estão cotados em R$ 228,30/@, refletindo o otimismo dos compradores e a pressão da oferta de boi gordo, sendo esse o maior valor dos últimos 30 dias.
O mercado futuro do boi gordo está em ascensão, após encerrar agosto de 2023 com as cotações na casa dos R$ 200/@. Os contratos com vencimento em outubro/23, novembro/23 e dezembro/23 estão cotados, nesta semana de setembro/23, em média, em R$ 242,40/@, R$ 244,50/@ e R$ 245,40/@, respectivamente, segundo o pregão regular do mercado futuro na B3. Os investidores da bolsa acreditam na perspectiva de redução na oferta de bovinos terminados nos próximos meses, visto que as escalas de abate começaram a encurtar após atingirem 13 dias no início de setembro/23, fechando a última semana com média de 10,72 dias.
Quanto à demanda por carne bovina, há um otimismo mais acentuado em relação ao último trimestre, marcado pelo pico de consumo no mercado interno. Em resumo, o mercado do boi gordo está em um momento de transição do ciclo pecuário. A recente valorização nos preços trouxe otimismo, mas também gera incertezas. Os pecuaristas devem estar atentos às tendências e se preparar para possíveis mudanças no cenário.
No que diz respeito ao giro do boi gordo nas principais praças pecuárias do país:
- São Paulo: R$ 230,00 por arroba do boi gordo.
- Goiânia: R$ 223,00 por arroba do boi gordo.
- Uberaba: R$ 223,00 por arroba do boi gordo.
- Dourados: R$ 226,00 por arroba do boi gordo.
- Cuiabá: R$ 189,00 por arroba do boi gordo.
Nas exportações, na quarta semana de setembro, a média diária de carne bovina in natura exportada foi de 10,6 mil toneladas, representando um aumento de 9,5% em relação à média diária de setembro/22 e um avanço de 31,4% frente ao resultado médio diário de agosto/23, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Entretanto, o preço médio por tonelada da proteína brasileira caiu 24,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, ficando em US$ 4,5 mil por tonelada.
No setor atacadista, os preços da carne bovina continuam em alta, com expectativas de manutenção desse movimento durante a primeira quinzena de outubro, período que tende a estimular o consumo, como mencionado por Iglesias. É relevante observar que a carne de frango ainda é a preferência da parcela da população com renda mais baixa, especialmente famílias com renda entre um e dois salários mínimos.(As informações são do Canal Compre Rural)













