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TRISTEZA

Médico paraense tem trajetória interrompida precocemente na Bolívia

Crisóstomo é sobrinho de Antônio de Sousa Silva, conhecido como "Tom Tom da Budega", e Elizete Lima Cruz, uma família tradicional da Região do Rio Preto que sempre empreendeu e contribuiu para o desenvolvimento da localidade.

Familiares e amigos do jovem médico Crisóstomo Cruz Nascimento, de 31 anos, informam que a missa de sétimo dia será realizada neste sábado, dia 8, na Paróquia Jesus Misericordioso, localizada no Distrito Cruzeiro do Sul (Vila Quatro Bocas), zona rural de Itupiranga. Crisóstomo faleceu na Bolívia no último domingo, dia 2, vítima de quatro paradas cardíacas.

A morte prematura de Crisóstomo Cruz deixou familiares, amigos e pacientes profundamente abalados. Nas redes sociais e grupos de WhatsApp, centenas de homenagens têm sido direcionadas ao jovem médico, reconhecido por sua integridade, compromisso e perseverança.

O jovem médico deixa sua filha, Eliza Cruz Aguilar, de apenas 3 anos, e sua esposa boliviana, Mery Aguilar Felipe. Levando em consideração a situação da esposa e da filhinha, que permanecerão no país, a família decidiu realizar o velório e o enterro do médico na Bolívia, como forma de respeito e consideração.

Crisóstomo é sobrinho de Antônio de Sousa Silva, conhecido como “Tom Tom da Budega”, e Elizete Lima Cruz, uma família tradicional da Região do Rio Preto que sempre empreendeu e contribuiu para o desenvolvimento da localidade.

Tragetória

Quando chegaram a Quatro Bocas, ele tinha apenas 11 anos de idade. Naquela época, a família possuía uma farmácia, e desde então “Cris” demonstrava interesse pela área da saúde. Ele sempre se empenhava em ajudar nos serviços da empresa, permanecendo lá até os 20 anos de idade. Foi nesse momento que decidiu cursar Medicina em outro país, devido aos altos preços das mensalidades nas universidades particulares e à alta concorrência para ingressar em universidades públicas.

Buscando realizar seu sonho de cursar Medicina, Crisóstomo deixou o conforto da família para enfrentar os desafios do curso na Bolívia. Assim como milhares de brasileiros que fizeram e ainda fazem esse percurso, ele enfrentou diversas adversidades. No entanto, não se deixou abater e conseguiu se formar.

A próxima batalha foi obter a certificação do Conselho Federal de Medicina (CFM). Após 11 anos no país, casado e com uma filha, ele sempre buscou essa certificação para retornar ao Brasil. Mais uma vez, ele alcançou seu objetivo. No dia 20 de abril, obteve a tão sonhada certificação e veio fazer o registro no CRM. “Ele passou cerca de quatro dias aqui conosco e depois retornou para buscar a família”.

Créditos: Acervo pessoal

Ninguém poderia imaginar que, após superar tantas dificuldades, o jovem teria sua jornada interrompida tão precocemente, deixando tantos projetos em andamento.

“Tom Tom”, recorda com tristeza a última conversa que teve com o sobrinho, um dia antes de seu falecimento. Segundo ele, Crisóstomo estava muito feliz e otimista com a aprovação e com o retorno ao Brasil, juntamente com a esposa e a filha. Ninguém esperava que aquela ligação na sexta-feira, por volta das 22h, seria a última vez que compartilhariam planos.

“Às cinco horas da manhã de sábado, fomos acordados com uma ligação informando que ele havia desmaiado em casa. Ele foi levado inconsciente ao hospital e ficou internado. Os médicos realizaram uma tomografia que constatou AVC de nível 4. Por volta das 10h da manhã de sábado, o neurocirurgião informou que havia uma compressão no cérebro. Diante desse novo diagnóstico, o levamos para outro hospital de referência, onde ele seria submetido à cirurgia. Já no outro hospital, durante os procedimentos preparatórios para a cirurgia, ele teve quatro paradas cardíacas e não resistiu, vindo a óbito”, lamenta Antônio.

Após sua formação, Crisóstomo permaneceu no país. “Há três anos, ele exercia sua profissão lá. Trabalhou em um hospital estético e, por último, estava empregado em um hospital de emergência, do qual já havia pedido demissão para vir ao Brasil. Ele estava apenas cumprindo o aviso prévio.

Os emocionantes relatos do tio revelam que todos estavam ansiosos pelo grande dia do retorno de Cris. “Ele deveria ter partido no domingo, dia 2. Nesta quinta-feira, dia 7, ele deveria ter chegado aqui em Quatro Bocas. Estávamos organizando uma recepção para recebê-lo. Mas tudo foi interrompido”, conta.

Dedicação

Antônio conta que, embora as crianças sejam filhas do irmão de sua esposa, Elizete Lima, ele as considera como seus próprios filhos. Devido a uma trágica fatalidade, o casal assumiu a responsabilidade pelos cuidados das crianças quando elas ainda eram muito pequenas, após a morte dos pais. Naquela época, Elizete e Antônio ainda namoravam, mas devido às circunstâncias, decidiram acelerar o casamento e assumir de uma vez por todas a criação dos sobrinhos.

“Eles são órfãos de pai e mãe: Carol, Tavinho e Cris. Após a morte dos pais deles, minha esposa e eu, que namorávamos na época, decidimos nos casar para cuidar dos três sobrinhos”.

Quando o pai deles faleceu, Cris tinha apenas 3 anos de idade. Infelizmente, agora Cris também nos deixou, deixando para trás uma filha de apenas três anos de idade.”  (Portal Guarati)

Homenagem 

 

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